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Tuesday, June 29, 2010

VI Seminário Imagens da Cultura / Cultura das imagens (2010)

Realiza-se nos dias 1, 2 e 3 de Julho de 2010 na Universidade Portucalense no Porto o VI Seminário Imagens da Cultura / Cultura das Imagens. O Seminário ICCI nasceu de uma cooperação ERASMUS entre a Universidade Aberta e a Universidade de Múrcia e com a cooperação do Núcleo de Pesquisa em Hipermédia da PUC-SP (Brasil) tendo como objetivo a Internacionalização da investigação e a ligação entre investigadores das diversas Universidades envolvidas no projeto.
No âmbito da realização do V Seminário ICCI na Universidade Sevilha foi criada uma rede de grupos de pesquisa implicada nos mesmos objetivos de cooperação científica internacional no âmbito das ciências sociais e da comunicação focalizada nas temáticas da imagem e da cultura visual e sonora e nas questões da interculturalidade e do transnacionalismo numa perspetiva interdisciplinar.
A RED_ICCI é atualmente constituída pelos seguintes grupos de investigação: CEMRI – Laboratório de Antropologia Visual, Universidade Aberta; Grupo de Investigação em Comunicação Corporativa e Sociedade da Informação – Área de Estudos Culturais, Universidade de Múrcia; Grupo de Investigación en Tecnología, Arte y Comunicación, Universidad de Sevilha; Design e Arte, Universidade Mackenzie, São Paulo; Pôle lmage & Information – IREGE, Universidade de Savoie; Grupo Internacional de Análisis Cinematográfico y Televisivo, Universidade Complutense de Madrid; GEOBINDEL - Grupo de Investigación de Desarrollo Local y Geografia Económica, Universidad de Alicante; VISURB - Grupo de Pesquisas Visuais e Urbana, Universidade Federal de São Paulo; CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade, Universidade do Porto; Grupo de Investigação em Sociedade, Ambiente e Desenvolvimento, Departamento de Ciências da Educação e do Património, Universidade Portucalense. A RED_ICCI assume conjuntamente a organização dos Seminários e a dinamização dos diversos grupos locais de pesquisa com vista à realização e apresentação de projetos de investigação conjuntos, a criação de Grupos de trabalho no Seminário, à apresentação dos trabalhos publicados no intervalo entre seminários e a publicação de uma Revista IMAGENS DA CULTURA / CULTURA DAS IMAGENS - IMÁGENES DE LA CULTURA / CULTURA DE LAS IMÁGENES.

Programa do VI Seminário Imagens da Cultura / Cultura das Imagens

Thursday, June 17, 2010

Licenciatura em Artes e Multimédia

A Licenciatura em Artes e Multimédia do ISMAI - Instituto Superior da Maia, tem como objectivo preparar profissionais com um perfil de competências orientado para o desempenho de funções nos domínios das Artes e das Novas Tecnologias, de modo a poderem contribuir, de forma decisiva, na melhoria do desempenho das organizações, indo também ao encontro das necessidades da sociedade contemporânea. O ciclo de estudos visa proporcionar aos estudantes: ferramentas e linguagens indispensáveis para a utilização esteticamente eficaz das novas tecnologias, em diálogo com processos de criação audiovisual, gráfica e literária; competências que irão permitir a inter-relacionação de diversas áreas de conhecimento do campo estético e artístico com o das humanidades e das tecnologias, permitindo a integração em equipas multidisciplinares; o desenvolvimento de espírito crítico e a capacidade de apreciação estética na compreensão de produtos artísticos e multimédia; a capacidade de serem um elo de ligação entre a comunidade académica e artística e o público em geral, conseguindo produzir e promover conteúdos culturais.

Thursday, September 17, 2009

Art&Tur 2009 - II Festival Internacional de Filmes de Turismo (Barcelos)






PROGRAMA – ART&TUR 2009


Quarta, 23 de Setembro

Manhã
10H00 – ABERTURA DA EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA "TESOUROS DE BARCELOS"
Local: Auditório da Casa da Juventude
10H15 - SESSÃO 1: FILMES PREMIADOS NO ART&TUR 2008
Local: Casa da Juventude
11H30 - SESSÃO 2: FILMES DA CATEGORIA JOVENS TALENTOS
Local: Auditório da Casa da Juventude

Tarde
14H30 – ABERTURA DAS EXPOSIÇÕES FOTOGRÁFICAS
Local: Sala Gótica
• Páginas do jornal Publituris relativas ao 1º festival de filmes de turismo
• “Fotos do Céu” (Polónia)
15H00 – ESPAÇO APTUR:
• Lançamento do livro: “O Futuro do Turismo. Território, Património, Planeamento”, projecto editorial da editora estratégias criativas e da APTUR coordenado por Francisco Dias, Luís Ferreira e Jack Soifer.
Local – Biblioteca Municipal
• Abertura da 1ª FEIRA DO LIVRO DE TURISMO
Local – Posto de Turismo
16H00 – SESSÃO INAUGURAL
Local: Auditório da Câmara Municipal
• Actuação da musicóloga Maria Pomianowska (Polónia)
• Actuação da Tuna masculina do IPCA
17H20 - SESSÃO 3: FILMES A CONCURSO
Local - Auditório da Câmara Municipal
18H40 - SESSÃO 4: FILMES DA LUSOFONIA
Local - Auditório da Câmara Municipal


Quinta, 24 de Setembro

Manhã
10H00 – SESSÃO 5: FILMES A CONCURSO
Local - Auditório da Câmara Municipal
11H40 – SESSÃO 6: SONS E IMAGENS DA POLÓNIA
Local - Auditório da Câmara Municipal
Estúdio de filmes de animação Se-Ma-For, por Zbigniew Zmudski (Apresentação, entre outros, de dois filmes vencedores de Oscar em Hollywood)

Tarde
14H30 – SESSÃO 7: FILMES A CONCURSO
Local - Auditório da Câmara Municipal
15H45 – SESSÃO 8: FILMES A CONCURSO
Local - Auditório da Câmara Municipal
16H45 – TURISMO DO PORTO E NORTE DE PORTUGAL, APRESENTADO PELO VICE-PRESIDENTE ENG.º ANTÓNIO MOTA
Local - Auditório da Câmara Municipal
17H20 – SESSÃO 9: FILMES A CONCURSO
Local - Auditório da Câmara Municipal
18H30 – PAÍS CONVIDADO (REPÚBLICA DOMINICANA)
• Apresentação da Campanha “República Dominicana... TUDO PELO SONHO”
Local - Auditório da Câmara Municipal

Noite
21H20 – SESSÃO 10: SESSÃO NOCTURNA
Local - Auditório da Câmara Municipal
22H15 - ACTUAÇÃO DO GRUPO DE FOLCLORE DE BARCELINHOS
Local: Largo do Apoio



Sexta, 25 de Setembro

Manhã
10H00– SESSÃO 11: FILMES A CONCURSO
Local: Auditório da Câmara Municipal
10H00 – 12:00: VISITA À CIDADE DE BARCELOS (CONVIDADOS ESTRANGEIROS)
11H30 – SONS E IMAGENS DA POLÓNIA:
Local: Auditório da Câmara Municipal
• Diaporama de Andrzej Danowski, director do Centro Nacional dos Fotógrafos Amantes da Província
• “Fotos do Céu”, diaporama de Dariusz Bogdal

Tarde
15H30 – CONFERÊNCIA "O AUDIOVISUAL E O TURISMO"
Local: Auditório da Câmara Municipal
• A importância do audiovisual no turismo das regiões do interior
- Luís Javier Alonso, Vereador do Turismo de Zamora (Espanha);
• A importância do audiovisual na promoção turística: A perspectiva da Turgalicia
- Carmen Pita, Directora-Geral da Turgalícia (Espanha);
• O papel do CIFFT na promoção do turismo e do audiovisual
- Alexander Kammel, Director-Geral do CIFFT (Áustria);
• O projecto audiovisual “2010 – Ano de Frédéric Chopin”
- Ewa Kotus, Presidente da Fundation Europe 2004 (Polónia);
• A promoção audiovisual do turismo na perspectiva do Jornal Publituris
- Ruben Obadia, Director do Jornal Publituris (Portugal);
• A análise custo/benefício na promoção turística audiovisual
- David C. Cooper, Consultor Sénior e Coordenador de Projectos da VideoOn (Espanha).
18H00 – SESSÃO 12: FILMES A CONCURSO
Local: Auditório da Câmara Municipal
19H15 – 10º ANVERSÁRIO DO RECONHECIMENTO OFICIAL DA LÍNGUA MIRANDESA
Local: Auditório da Câmara Municipal
• Sessão 13: Filme produzido por Leonel Vieira, "Do Japão à Terra de Miranda";
• A apresentação de Os Lusíada em Língua Mirandesa, por Amadeu Ferreira;
• A actuação dos Pauliteiros de Miranda e dos Gaiteiricos de Miranda.



Sábado, 26 de Setembro

Manhã
09H00 – 13H00 – ANIMAÇÃO DE RUA
• Pauliteiros e Gaiteiricos de Miranda
10H00 – VISITA A VIANA E PONTE DE LIMA (convidados estrangeiros)
10H00 – SESSÃO 14: FILMES A CONCURSO
Local: Auditório da Câmara Municipal
11H45 – SESSÃO 15: FILMES TURÍSTICOS EM 3-D
Local: Auditório da Biblioteca Municipal

Tarde
14H00 – 18H00: ANIMAÇÃO DE RUA
• Danças tradicionais da República Dominicana - merengue
14H30 – SESSÃO 16: FILMES A CONCURSO
Local: Auditório da Câmara Municipal
16H00 – SESSÃO 17: FILMES A CONCURSO
Local: Auditório da Câmara Municipal
18H00 – ENTREGA DE PRÉMIOS (convidados)
Local: Auditório da Câmara Municipal
• Actuação da musicóloga Maria Pomianowska (Polónia)
20H15 – JANTAR DE GALA (convidados)
• Animação pelo grupo de danças tradicionais da República Dominicana



Domingo, 27 de Setembro

Manhã
09H00 – 13H00 – ANIMAÇÃO DE RUA
• Danças tradicionais da República Dominicana - merengue
09H00 – 14H00 – VISITA À CIDADE DO PORTO (convidados estrangeiros)
Tarde
14H30 – SESSÃO 19: FILMES VENCEDORES DO ART&TUR 2009
Local: Auditório Municipal


(Fonte: Art&Tur 2009 - II Festival Internacional de Filmes de Turismo)

Tuesday, April 21, 2009

Biblioteca Digital Mundial - UNESCO



A World Digital Library disponibiliza na Internet, gratuitamente e em formato multilingue, importantes fontes provenientes de países e culturas de todo o mundo.

Os principais objetivos da Biblioteca Digital Mundial são:

•Promover a compreensão internacional e intercultural;
•Expandir o volume e a variedade de conteúdo cultural na Internet;
•Fornecer recursos para professores, investigadores, estudantes e o público em geral.

Wednesday, December 10, 2008

Si piensas...

Si piensas en partir, también me voy...


© Fernando Faria Paulino, 2006

Monday, December 08, 2008

Tuaregue, uma experiência de deserto

A 3 de Abril de 1992 era noticiado nos orgãos de comunicação social portuguesa os três ataques consecutivos levados a cabo por tuaregues, à expedição portuguesa que tentava efectuar a ligação Lisboa-Luanda ao longo do continente africano.

Viaturas, dinheiro, objectos e documentos pessoais desapareceram durante uma etapa de deserto. Só a intervenção por parte do governo português, que colocou à disposição da caravana um Hércules C-130 da Força Aérea, permitiu o repatriamento dos 70 expedicionários portugueses. O jornal Público noticiou o acontecimento com o sugestivo título "O dia mais longo no país dos tuaregues".

Foram várias as pessoas que nos dias seguintes me abordaram, para a pergunta redutora. Afinal os tuaregue eram "bons" ou "maus"? As notícias vindas a público contrariavam de alguma forma as imagens que eu vinha transmitindo ao longo dos anos, àcerca deste povo berbere do deserto, com os seus territórios repartidos pelos diversos países do norte de África.

Decorridos precisamente nove dias dos referidos incidentes, encontrava-me já em Tânger, preparado para rumar a sul, nas poucas pistas passíveis de serem atravessadas, sem autorização especial ou escolta militar.

O fascínio do deserto e pelo deserto. A sua dimensão oculta. Mano Dayak, antropólogo, um dos tuaregue que mais lutou pela causa do seu povo, escreveu um dia: "O deserto não se conta, vive-se" (Durou, 1994:8). Concordei eu próprio mais tarde com a veracidade de tal afirmação. Por mais relatos que tivesse lido sobre o Deserto do Sara, é a própria vivência que nos leva a conhecê-lo melhor.

O deserto é um espaço privilegiado de relações. De relações com o meio, de relações com os seus habitantes, de relações com nós próprios. É este processo de relações, de comunicação, que nos leva a conhecê-lo melhor.

Foi a necessidade de melhor compreender a minha relação com o deserto, a minha posição nesse processo de comunicação, que me levou a procurar testemunhos dos seus habitantes, relatos dos viajantes ao norte de África, relatos dos exploradores que o atravessaram. Enfim, testemunhos de experiências do deserto.

Foi assim que a minha rota se cruzou com "A Primeira Travessia do Sara em veículo motorizado", levada a cabo pela Citroën em 1922.



Tal expedição reunia todo um conjunto de ingredientes, cuja desconstrução me pareceu desde logo aliciante. Tratava-se à partida, da primeira travessia do deserto utilizando veículos motorizados, era empreendida por uma empresa, situava-se numa época de consolidação da política colonial europeia, no período pós Grande Guerra, em plena expansão industrial do continente europeu. Ao longo da expedição tinham sido realizadas centenas de fotografias que dariam origem à publicação do diário da expedição e, recolhidas imagens cinematográficas que deram origem ao grande filme documentário "A Travessia do Sara", cuja estreia recebeu o alto patrocínio do Presidente da República Francês.



A ideia base do projecto, segundo André Citroën, nasce da procura de uma ligação prática entre a Argélia e a África Ocidental Francesa. É em consequência da I Grande Guerra e devido à necessidade de fazer chegar à metrópole francesa os recursos existentes nas suas colónias (Senegal, Guiné e Congo) que surge a ideia do raide trans-sariano. O Sara surgia pois como o grande obstáculo que era necessário vencer.

É assim que cinco viaturas equipadas com um sistema de lagartas, transportando 10 exploradores e uma cadela (esta, com um papel activo ao longo de toda a expedição), partem de Touggourt a 17 de Dezembro, atravessam 3.500 quilómetros de deserto e, vinte e dois dias mais tarde, chegam a Tombouctou. O veículo motorizado acabara de vencer o deserto.



Vale a pena citar o discurso de André Citroën, quando teve conhecimento do êxito da expedição: "No momento em que entram na pérola do Níger, depois de terem executado esforços sobre-humanos, um trabalho de titã pela causa da humanidade e pelo triunfo da indústria francesa, faço questão de vos exprimir do fundo do coração a alegria que sinto" (cit. Wolgensinger, 1992, p.146).

Era a vitória da Citroën, da indústria francesa sobre o Sara. O deserto havia sido conquistado. Expressões que alimentavam o imaginário colonial, representações de um processo, sinais de supremacia. A Europa fazia história em África. O diário de viagem e o filme documentário encarregar-se-iam disso mesmo.

Paul Castelnau, doutorado em Ciências, era o geógrafo da expedição. Para além de outras tarefas, fora-lhe incumbida a realização das filmagens. Refere Haardt no diário, que "graças a Castelnau, a missão recolheu uma enorme quantidade de documentos do mais alto interesse" (Haardt, 1923, p.34). Tratava-se da recolha de imagens como objectos, acto revelador de um espírito positivista, da recolha da diversidade do mundo para posterior classificação e conservação. Como afirmaria Marc Piault, um "espírito de colecta, de identificação e de apropriação característico do desenvolvimento europeu" (1992:59).



A "Travessia do Sara" marca o espírito de uma época. A visão do Outro como um absurdo, sem valores, reconhecido apenas pelo seu valor exótico. Uma verdadeira des-realização dos Outros, segundo Piault (1992:59). Tais factos alimentavam e satisfaziam as necessidades dos leitores de livros-relato de expedições e as audiências dos filmes de exploração.

Os leitores e as audiências maravilhavam-se com os actos heróicos dos seus exploradores, sentiam-se eles próprios fazendo parte da aventura. O exótico e o misterioso completavam os ingredientes. O norte de África prestava-se a tal. Tombouctou, "a misteriosa", era o destino final. "De Touggourt à Tombouctou par l'Atlantide", o sub-título, remetia o leitor para a misteriosa origem dos tuaregue, a lenda da Atlântida.

A própria face velada do homem tuaregue servia o efeito mistério. O litham impossibilitava a sua desconstrução, impossibilitava o apoderar-se do Outro, facto que leva Haardt a usar a expressão, "irritantemente cobertos", referindo-se aos homens tuaregue.



As mulheres, igualmente sujeitas a um olhar, chocam pelas atitudes consideradas libertinas, provocadoras e, pela sua liberdade e autonomia perante o homem tuaregue. A honra da presença feminina nestas paragens, parece apenas ser salva por Flossie, a cadela "exploradora", de cor branca, símbolo da elegância feminina francesa, e do bom senso pelos comentários que vai tecendo àcerca de tudo quanto observa. Irrita-se com as danças e o barulho do tam-tam e afasta-se, comentando: "Estes disparates não me interessam" (Haardt, 1923:134).



A 26 de Dezembro de 1922 a expedição atinge a região do Hoggar. "É feita a distribuição de presentes a estes grandes larápios do deserto, que acham muito natural tudo quanto lhes oferecemos. Antigamente, antes de sermos os donos do país, ter-nos-iam massacrado para obterem tais ofertas pelos seus próprios meios" (Haardt, 1923:97).

Os finais de etapa eram apoteóticos. Pequenas vitórias acumuladas, num crescendo de emoção, contribuiriam para a conquista final do Sara. O ponto da situação era enviado diariamente para a Europa, via rádio. O mundo inteiro acompanhava o dia-a-dia da expedição. O desenvolvimento tecnológico lado a lado com a expansão colonial.

O deserto do Sara funcionaria como "um verdadeiro laboratório de ensaios" (Haardt, 1923:16) para as futuras expedições da Citroën. De mãos dadas, a exploração, a expansão colonial, o cinema e a etnografia. A apropriação do espaço, do território, dos Outros. Segundo Marc Piault, seria esta necessidade de apropriação de "sociedades cada vez mais distantes das nossas, tanto geograficamente, como fisicamente, materialmente ou culturalmente, a justificar todo o empreendimento da exploração" (Piault, 1992:59).



Em França, a recolha de imagens do mundo não era uma tarefa exclusiva dos etnólogos, como afirmou José Ribeiro, (1995: 66 e 80) referindo-se nomeadamente à empresa Citroën. Era a própria recolha de imagens que justificava as expedições. Refere Marc Piault a este propósito, que as imagens recolhidas "reforçavam o conjunto de representações e discursos sobre o progresso e, as missões «civilizadoras» do homem branco" (Piault, 1992:59).

Cinema, fotografia, antropologia e expansão colonial, num percurso paralelo. Este poderia ter sido o título, do presente texto.

A empresa Citroën, na sua página oficial da Internet, apresentava-nos um espaço dedicado ao tema "Citroën e a aventura". Aí, deparavamo-nos com o seguinte texto: "Expedições Citroën: você não imagina tudo o que a Citroën faz para reduzir a distância entre os povos" (Citroën, s.d.).

As marcas dos novos caminhos foram efectivamente deixadas. Para os tuaregue, ou melhor para os imazighen, homens livres como eles próprios se denominam, as consequências de tais marcas também permanecem na vastidão do Sara.

Para reflexão, gostaria apenas de referir um anúncio publicitário datado de 1994, em cujo corpo do texto lia-se: "Andar em plena liberdade e sem nunca parar é a especialidade da série limitada ZX Touareg".




Bibliografia
Citroën et l'Aventure, [online], disponível em: http: // www. citroen. com/ home-f.htm (acesso em 15.02.1999).
DUROU, Jean-Marc (1994), La Passion du Désert, Paris, Ed. de La Martinière.
HAARDT, Georges-Marie e Louis AUDOUIN-DUBREUIL (1923), La Premiére Traversée du Sahara en Automobile - De Touggourt à Tombouctou par l'Atlantide, Paris, Librairie Plon.
PIAULT, Marc-Henri (1986), "L'Anthropologie à la Recherche de ses images", in CinémAction, Paris, nº 38, pp. 52-57.
PIAULT, Marc-Henri (1992), "Du Colonialisme à l'Echange" in CinémAction, Paris, nº 64, pp.58-65.
RIBEIRO, José (1995), "Cem Anos de Imagens do Mundo, Panorama do Cinema Etnográfico Francês" in Imagens do Mundo - Mostra de Cinema Etnográfico Francês, Lisboa, C.E.A.S. / I.S.C.T.E., C.E.M.R.I. / Universidade Aberta, Serviço Cultural da Embaixada de França, pp. 65-81.
WOLGENSINGER, Jacques (1992), André Citroën, uma biografia, Lisboa, Contexto Editora.




nota | Comunicação apresentada nos Colóquios de Antropologia Visual realizados na Universidade Aberta (Delegação Norte) em 12.03.99

© em todas as imagens (HAARDT, Georges-Marie e Louis AUDOUIN-DUBREUIL (1923), La Premiére Traversée du Sahara en Automobile - De Touggourt à Tombouctou par l'Atlantide, Paris, Librairie Plon)
© ® Citroën

Friday, November 28, 2008

LIFE Photo Archive



Ninety-seven percent of the collection, which stretches from 1860 to today, has never been seen by the public. It's now online for the first time through the joint work of LIFE and Google.

Sunday, October 12, 2008

Tuesday, September 02, 2008

02. Cross-Cultural World... picturing people and places


architec.Tures
© Fernando Faria Paulino


Archi.tectures
© Fernando Faria Paulino


Arch.i.Tectures
© Fernando Faria Paulino

05. Imagens que marcam... Henri Cartier-Bresson

Decorridos 100 anos desde o seu nascimento (22 de Agosto), o fotógrafo do “instante decisivo”, o mítico fundador da Magnum, Cartier-Bresson foi considerado por muitos o fotógrafo dos fotógrafos. Defendeu, tanto quanto a sua postura ideológica, uma série de princípios fotográficos, quebrando-os sempre que necessário. Fotografou um pouco por todo o mundo. De Portugal apenas comercializou duas fotografias, actualmente pertencentes à Colecção da Caixa Geral de Depósitos.

Merece ser lida a análise interessante que Jorge Calado publica no caderno Actual da edição do Expressso de 23 de Agosto sobre a fotografia no Mosteiro dos Jerónimos.


Lisboa, Mosteiro dos Jerónimos
© 1955, Henri Cartier-Bresson

Admiro o trabalho de Cartier-Bresson, mas definitivamente Robert Doisneau continua a ser, o meu fotógrafo de eleição.

Saturday, August 16, 2008

04. Imagens que marcam... A Rapariga de Asni

Em 1991, após um dia de viagem pelas pistas do Atlas marroquino, chego aos arredores de Asni. De noite, não me apercebo onde se situava a aldeia. O acampamento é montado. Durante a hora do jantar surgem os primeiros habitantes da aldeia. Traziam consigo diversos artefactos, artesanato e estavam dispostos a conseguir algum dinheiro em troca dos seus produtos.

Os homens encarregaram-se do negócio, as mulheres apenas cantaram. Um longo processo ritmado pelo tam-tam e pelos cantares femininos.

No meio daqueles berberes, uma rapariga prende-me a atenção. O seu olhar cativou-me de um modo particular. Decido fotografá-la. Durante cerca de uma hora, talvez mais, negociámos a tomada da primeira fotografia. A comunicação verbal era praticamente impossível… Finalmente, deixou-se fotografar. Uma única fotografia... chamei-lhe A Rapariga de Asni.


A Rapariga de Asni
© Fernando Faria Paulino

Tuesday, August 05, 2008

03. Imagens que marcam... Nomadismo e transumância

A minha vida ficará para sempre ligada ao nomadismo e à transumância, não porque o(s) tenha praticado mas porque o(s) vivenciei de muito perto. Desconheço os resultados do I Encuentro mundial de pastores nómadas y trashumantes, que decorreu em Segóvia em 2007, bem como desconheço os resultados práticos da Declaración de Segovia de los Pastores Nómadas y Trashumantes. Mas subscrevo-os.

Tive o primeiro contacto com o nomadismo em finais dos anos 80, no norte de África, algures no deserto do Sara, entre a fronteira de Marrocos com a Argélia. Desde então, não mais parei de me interessar por um modo de vida com características tão próprias e dinâmicas sociais e culturais tão complexas. Ainda hoje transporto comigo, aquilo que considero ser uma espécie de talismã, uma cruz Tuaregue.

Mas foi em Portugal que desenvolvi a maior parte da minha investigação ligada a esta temática. Os homens com quem tive a honra de trabalhar, e com os quais partilhei práticas, refeições, noites, simples conversas e conhecimento, merecem da minha parte uma enorme e sincera admiração e daí, uma profunda homenagem.

Três anos de trabalho de campo desenvolvido deram origem em 2001 à minha dissertação de mestrado "Transumância da Estrela ao Montemuro. Da tradição à modernidade, a longa viagem da cultura pastoril", daí tendo ainda resultado a produção do CD-Rom interactivo "Ciclos" e do documentário "Transumantes, viagem pela memória".